terça-feira, 18 de outubro de 2011

Diabetes e o Etilismo







O álcool interfere no nível de vários compostos do sangue, mas interfere principalmente no nível da glicose. A mudança no nível de açúcar do sangue causada pelo álcool é prejudicial para qualquer pessoa, e para quem tem diabetes, essa mudança pode ser perigosa.





A ingestão de álcool pode causar duas reações opostas no organismo de quem tem diabetes: a hiperglicemia (elevado nível de açúcar no sangue) ou a hipoglicemia (baixo nível de açúcar no sangue).





A hiperglicemia acontece quando a pessoa faz uma refeição grande muito rica em carboidratos e em seguida ingere bebidas alcoólicas que também sejam ricas nesse macronutriente. A reação do organismo é obvia, o nível de açúcar aumenta. Essa reação pode ser perigosa para quem tem diabetes se a glicemia dessas pessoas não estiver devidamente controlada.





O álcool é visto pelo organismo como uma toxina, portanto ele deve ser metabolizado o mais rápido possível. O fígado, órgão que metaboliza as toxinas, deixa de exercer suas funções, como liberar glicose para normalizar o nível de açúcar no sangue para metabolizar o álcool (ação do álcool de inibir a gliconeogênese) e isso pode causar um caso de hipoglicemia. O álcool pode também potencializar a ação da insulina, piorando o caso de hipoglicemia.





Apesar das consequencias que a ingestão de álcool pode causar em quem tem diabetes, eles podem consumir bebidas alcoólicas, desde que seja moderadamente e é claro, eles precisam sempre conversar com seus médicos para que cada quadro seja analisado.






Dicas para que o álcool não interfira no nível de glicose do sangue:








1. Beber moderadamente, para que o organismo tenha tempo de metabolizar todo o álcool



2. Ingerir bebidas alcoólicas apenas quando a glicemia estiver controlada, assim os riscos da glicose atingir um nível muito alto ou muito baixo são menores



3. Não beber de estômago vazio, para diminuir a absorção do álcool



4. Evitar bebidas com alto índicie glicêmico, como por exemplo, a cerveja.









Bibliografia:






















segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Doenças Hepáticas Alcoólicas (DHAs)

A maioria das pessoas que consomem bebidas alcoólicas não tem doenças no fígado. Porém, abusar da ingestão do álcool faz mal a saúde e possui, como consequência, complicações hepáticas. Além disso, sabemos que mulheres são mais vulneráveis do que os homens em relação aos efeitos do álcool no organismo.
As mulheres podem desencadear doenças hepáticas consumindo diariamente durante anos quantidades equivalente a 200ml de álcool puro (200 ml de vinho, 350 ml de cerveja ou 50 ml de whisky). Nos homens, a quantidade é menor, cerca de 50ml de álcool puro (500 ml de vinho, 1L de cerveja, ou 150 ml de whisky). Lembrando que essas quantidades são estimadas e só lesionarão o fígado caso sejam ingeridas diariamente durante alguns anos. Vale ressaltar que a quantidade suficiente para causar danos ao organismo varia de pessoa para pessoa.
(Dados retirados de: Doença hepática produzida pelo álcool. Disponível em http://www.manualmerck.net/?id=143&cn=1153&gt)

Serão descritas abaixo algumas doenças relacionadas ao consumo exagerado de bebidas alcoólicas:
Esteatose (fígado gorduroso): É a primeira lesão hepática, podendo evoluir para fibrose e, posteriormente, para uma cirrose. Ela ocorre depois da ingestão de grandes doses de álcool por 3 a 7 dias contínuos.
  • Ocorre porque a oxidação do etanol requer a redução de NAD+ em NADH. Porém a oxidação de gordura necessita de NAD+ e a diminuição da sua concentração irá inibir a oxidação de ácidos graxos, ocasionando o acúmulo de gordura nos hepatócitos.
Fibrose perivenular: Considerada lesão pré-cirrótica, uma vez que seu agravamento pode levar à cirrose.

  • É caracterizada pela "cicatrização" (formação de tecido fibroso) em torno da veia hepática e posterior destruição de hepatócitos.

Hepatite alcoólica (HA):
É a inflamação do fígado, que causa a morte dos hepatócitos. Mesmo depois de ser curada, a HA deixa cicatrizes (fibrose) permanentes no fígado.

Cirrose:
É a fase irreversível da Doença Hepática Alcoólica. O estágio de fibrose avançada impede que haja passagem de sangue pelo fígado, não permitindo que ele exerça suas funções vitais, como filtragem sanguínea e absorção dos nutrientes, causando uma falência hepática.

Em suma, as principais manifestações das doenças hepáticas alcoólicas são: aumento do fígado, icterícia, anorexia, perda do apetite, tumores, emagrecimento, febre e dor abdominal.
É importante lembrar que pessoas que consomem bebidas alcoólicas excessivamente, os denominados alcoólatras, acreditam beber socialmente, se excluindo dos indivíduos que correm risco de adquirirem tais doenças. Assim, é importante incentivá-los a buscar ajuda, uma vez que tal vício pode ser letal.

Espero que tenham gostado do post e agora, por conhecer um pouquinho melhor sobre as consequências negativas dessa bebida, possam consumi-la com moderação!

Referências Bibliográficas:
Doença hepática produzida pelo álcool. Disponível em <http://www.manualmerck.net/?id=143&cn=1153>. Acesso em: 8 Outubro 2011.
MINCIS, Moysés; MINCIS, Ricardo. Doença Hepática Alcoólica: Diagnóstico e Tratamento. Prática Hospitalar • Ano VIII • Nº 48 • Nov-Dez/2006. Disponível em: <http://www.praticahospitalar.com.br/pratica%2048/pdfs/mat%2024.pdf>. Acesso em: 9 Outubro 2011.
Doença Hepática Associada ao Álcool. Disponível em <http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias/9273> Acesso em: 8 Outubro 2011.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Veisalgia

A única que nunca é convidada para as festas mas que sempre aparece.Temida e odiada por todos,vamos falar da veisalgia.Você acorda sem saber o que aconteceu,tenta levantar mas não consegue.A sua cabeça parece que vai explodir,você tenta se encostar na cama(se é que você está nela).Além das dores de cabeça você sente várias outras dores e sente um gosto de "cabo de guarda-chuva" na boca.Você começa a lembrar(ou não)das conversas desnecessárias da noite anterior e tem vontade de morrer.O que é isso??Essa é a maneira que o corpo encontra de nos lembrar sobre os perigos do excesso de álcool,é a famosa ressaca.



Esta sensação vem depois daquele "apagão" comentado no post anterior sobre os efeitos do álcool no organismo.A ressaca está sempre associada à intoxicação aguda de álcool.Inicia-se cerca de 6 a 8 horas após o consumo(período em que a concentração de álcool no sangue diminui)e pode durar até 24 horas.
Os principais sintomas da ressaca são: náuseas,dores de cabeça,boca seca,tontura,desconforto gastrintestinal,cansaço,falta de apetite,tremores,sudorese,sonolência,ansiedade,mau-humor,irritabilidade,vômitos..e daí pra pior.





A ressaca é uma espécie de abstinência.Cada vez que uma bebida alcoólica é ingerida, o etanol é metabolizado no fígado, lançado na corrente sanguínea e depois é levado até o cérebro. Resultado:sensação de euforia e desembaraço. Mas aos poucos essas sensações são substituídas por um efeito depressivo e acaba causando sonolência e diminuição dos reflexos,um perigo para quem vai pegar no volante.
O fígado transforma o álcool em acetaldeído(um composto que chega a ser 30X mais tóxico que o etanol) e este é transformado em acetato(um composto não tóxico)pela ação da enzima aldeído desidrogenase.O excesso de álcool acaba com a presença da glutationa(coenzima que age junto com a enzima na formação de acetato).Resultado:como o fígado não consegue transformar todo o álcool que chega fica no sangue uma quantidade de acetaldeído,acetato e etanol.













O álcool age também como vasodilatador,devido também a presença de histaminas e tiraminas em algumas bebidas,causando dores de cabeça.Outro processo é a hipoglicemia,como explicado anteriormente no tópico sobre a glicose,em que o álcool atrapalha a via da neoglicogênese. Como a glicose é primordial como fonte energética para o cérebro, sua falta causa alguns dos sintomas da ressaca como: fadiga, fraqueza, distúrbios de humor e perda de concentração e atenção.O álcool causa ainda a produção exagerada de suco gástrico que irrita a parede do estômago gerando movimentos involuntários levando ao enjôo e vômito.
Além disso ele tem função diurética, já que inativa o ADH (hormônio antidiurético) circundante e inibe a nova produção, responsável pela absorção de água nos túbulos renais e controle dos nível de água no corpo, é como se o responsável por abrir e fechar a torneira deixasse ela aberta,causando a desidratação, por isso as idas constantes ao banheiro.

















Não há remédios milagrosos para a ressaca(em caso extremo a pessoa deve ser levada ao hospital).Resta esperar que o corpo processe e se recupere do excesso de álcool e da badalação da noite anterior.No próximo post trarei dicas de como "amenizar" esta situação.E lembrem-se: se beber,não dirija!