segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Doenças Hepáticas Alcoólicas (DHAs)

A maioria das pessoas que consomem bebidas alcoólicas não tem doenças no fígado. Porém, abusar da ingestão do álcool faz mal a saúde e possui, como consequência, complicações hepáticas. Além disso, sabemos que mulheres são mais vulneráveis do que os homens em relação aos efeitos do álcool no organismo.
As mulheres podem desencadear doenças hepáticas consumindo diariamente durante anos quantidades equivalente a 200ml de álcool puro (200 ml de vinho, 350 ml de cerveja ou 50 ml de whisky). Nos homens, a quantidade é menor, cerca de 50ml de álcool puro (500 ml de vinho, 1L de cerveja, ou 150 ml de whisky). Lembrando que essas quantidades são estimadas e só lesionarão o fígado caso sejam ingeridas diariamente durante alguns anos. Vale ressaltar que a quantidade suficiente para causar danos ao organismo varia de pessoa para pessoa.
(Dados retirados de: Doença hepática produzida pelo álcool. Disponível em http://www.manualmerck.net/?id=143&cn=1153&gt)

Serão descritas abaixo algumas doenças relacionadas ao consumo exagerado de bebidas alcoólicas:
Esteatose (fígado gorduroso): É a primeira lesão hepática, podendo evoluir para fibrose e, posteriormente, para uma cirrose. Ela ocorre depois da ingestão de grandes doses de álcool por 3 a 7 dias contínuos.
  • Ocorre porque a oxidação do etanol requer a redução de NAD+ em NADH. Porém a oxidação de gordura necessita de NAD+ e a diminuição da sua concentração irá inibir a oxidação de ácidos graxos, ocasionando o acúmulo de gordura nos hepatócitos.
Fibrose perivenular: Considerada lesão pré-cirrótica, uma vez que seu agravamento pode levar à cirrose.

  • É caracterizada pela "cicatrização" (formação de tecido fibroso) em torno da veia hepática e posterior destruição de hepatócitos.

Hepatite alcoólica (HA):
É a inflamação do fígado, que causa a morte dos hepatócitos. Mesmo depois de ser curada, a HA deixa cicatrizes (fibrose) permanentes no fígado.

Cirrose:
É a fase irreversível da Doença Hepática Alcoólica. O estágio de fibrose avançada impede que haja passagem de sangue pelo fígado, não permitindo que ele exerça suas funções vitais, como filtragem sanguínea e absorção dos nutrientes, causando uma falência hepática.

Em suma, as principais manifestações das doenças hepáticas alcoólicas são: aumento do fígado, icterícia, anorexia, perda do apetite, tumores, emagrecimento, febre e dor abdominal.
É importante lembrar que pessoas que consomem bebidas alcoólicas excessivamente, os denominados alcoólatras, acreditam beber socialmente, se excluindo dos indivíduos que correm risco de adquirirem tais doenças. Assim, é importante incentivá-los a buscar ajuda, uma vez que tal vício pode ser letal.

Espero que tenham gostado do post e agora, por conhecer um pouquinho melhor sobre as consequências negativas dessa bebida, possam consumi-la com moderação!

Referências Bibliográficas:
Doença hepática produzida pelo álcool. Disponível em <http://www.manualmerck.net/?id=143&cn=1153>. Acesso em: 8 Outubro 2011.
MINCIS, Moysés; MINCIS, Ricardo. Doença Hepática Alcoólica: Diagnóstico e Tratamento. Prática Hospitalar • Ano VIII • Nº 48 • Nov-Dez/2006. Disponível em: <http://www.praticahospitalar.com.br/pratica%2048/pdfs/mat%2024.pdf>. Acesso em: 9 Outubro 2011.
Doença Hepática Associada ao Álcool. Disponível em <http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias/9273> Acesso em: 8 Outubro 2011.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Veisalgia

A única que nunca é convidada para as festas mas que sempre aparece.Temida e odiada por todos,vamos falar da veisalgia.Você acorda sem saber o que aconteceu,tenta levantar mas não consegue.A sua cabeça parece que vai explodir,você tenta se encostar na cama(se é que você está nela).Além das dores de cabeça você sente várias outras dores e sente um gosto de "cabo de guarda-chuva" na boca.Você começa a lembrar(ou não)das conversas desnecessárias da noite anterior e tem vontade de morrer.O que é isso??Essa é a maneira que o corpo encontra de nos lembrar sobre os perigos do excesso de álcool,é a famosa ressaca.



Esta sensação vem depois daquele "apagão" comentado no post anterior sobre os efeitos do álcool no organismo.A ressaca está sempre associada à intoxicação aguda de álcool.Inicia-se cerca de 6 a 8 horas após o consumo(período em que a concentração de álcool no sangue diminui)e pode durar até 24 horas.
Os principais sintomas da ressaca são: náuseas,dores de cabeça,boca seca,tontura,desconforto gastrintestinal,cansaço,falta de apetite,tremores,sudorese,sonolência,ansiedade,mau-humor,irritabilidade,vômitos..e daí pra pior.





A ressaca é uma espécie de abstinência.Cada vez que uma bebida alcoólica é ingerida, o etanol é metabolizado no fígado, lançado na corrente sanguínea e depois é levado até o cérebro. Resultado:sensação de euforia e desembaraço. Mas aos poucos essas sensações são substituídas por um efeito depressivo e acaba causando sonolência e diminuição dos reflexos,um perigo para quem vai pegar no volante.
O fígado transforma o álcool em acetaldeído(um composto que chega a ser 30X mais tóxico que o etanol) e este é transformado em acetato(um composto não tóxico)pela ação da enzima aldeído desidrogenase.O excesso de álcool acaba com a presença da glutationa(coenzima que age junto com a enzima na formação de acetato).Resultado:como o fígado não consegue transformar todo o álcool que chega fica no sangue uma quantidade de acetaldeído,acetato e etanol.













O álcool age também como vasodilatador,devido também a presença de histaminas e tiraminas em algumas bebidas,causando dores de cabeça.Outro processo é a hipoglicemia,como explicado anteriormente no tópico sobre a glicose,em que o álcool atrapalha a via da neoglicogênese. Como a glicose é primordial como fonte energética para o cérebro, sua falta causa alguns dos sintomas da ressaca como: fadiga, fraqueza, distúrbios de humor e perda de concentração e atenção.O álcool causa ainda a produção exagerada de suco gástrico que irrita a parede do estômago gerando movimentos involuntários levando ao enjôo e vômito.
Além disso ele tem função diurética, já que inativa o ADH (hormônio antidiurético) circundante e inibe a nova produção, responsável pela absorção de água nos túbulos renais e controle dos nível de água no corpo, é como se o responsável por abrir e fechar a torneira deixasse ela aberta,causando a desidratação, por isso as idas constantes ao banheiro.

















Não há remédios milagrosos para a ressaca(em caso extremo a pessoa deve ser levada ao hospital).Resta esperar que o corpo processe e se recupere do excesso de álcool e da badalação da noite anterior.No próximo post trarei dicas de como "amenizar" esta situação.E lembrem-se: se beber,não dirija!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Os efeitos do álcool no organismo

Olá pessoal,

Vocês já pararam pra pensar no que acontece com nosso organismo quando estamos embriagados? Achei esse texto na internet que retrata de modo até cômico, o que é afetado no nosso organismo quando sob o efeito do álcool.

“Você vai ao bar e bebe uma cerveja. Bebe a segunda cerveja... A terceira, e assim por diante. O teu estômago manda uma mensagem pro teu cérebro dizendo:
- Caracas véio... O cara tá bebendo muito liquido, tô cheião!!!
Teu estômago e teu cérebro não distinguem que tipo de líquido está sendo ingerido, ele sabe apenas que “é líquido”. Quando o cérebro recebe essa mensagem ele diz:
- Caracas, o cara tá maluco!!!
E manda a seguinte mensagem para os rins:
- Meu, filtra o máximo de sangue que tu puder. O cara aí tá maluco e tá bebendo muito líquido. Vamos botar isso tudo pra fora.
E o rim começa a fazer até hora-extra, filtrando muito sangue e enchendo rápido. Daí vem a primeira corrida ao banheiro. Se você notar, esse primeiro xixi é com a cor normal, meio amarelado, porque além de água, vêm as impurezas do sangue. O rim aliviou a vida do estômago, mas você continua bebendo, e o estômago manda outra mensagem, agora para o cérebro:
- Cara, ele não para. Socorro !!!
E o cérebro manda outra mensagem pro rim:
- Véio, estica a baladeira, manda ver aí na filtragem !!!
O rim filtra feito um louco, só que agora, o que ele expulsa não é o álcool, ele manda pra bexiga apenas... água (o líquido mais precioso do corpo). Por isso que as mijadas seguintes são transparentes, porque é água. E quanto mais você continua bebendo, mas o organismo joga água pra fora, e o teor de álcool no organismo aumenta, deixando você mais “bunitim”. Chega uma hora que você tá com o teor alcoólico tão alto que teu cérebro te “desliga”. Essa é a hora que você desmaia... dorme... capota... resumindo: essa é a hora que o “teu” não tem dono!!! Ele faz isso porque pensa:
- Meu, o cara tá afim de se matar. Tá bebendo veneno pro corpo. Vou apagar esse doido pra ver se assim ele para de beber e a gente tenta expulsar esse álcool do corpo dele...
Enquanto você está lá, apagado (sem dono), o cérebro dá a seguinte ordem pro sangue:
- Bicho, apaguei o cara. Agora a gente tem que tirar esse veneno do corpo dele. O plano é o seguinte: como a gente está com o nível de água muito baixo, passa em todos os órgãos e tira a água deles, e assim a gente consegue jogar esse veneno fora.
O sangue é como se fosse o Office-Boy do corpo. E como um bom Office-Boy, ele obedece às ordens direitinho, e por isso começa a retirar água de todos os órgãos. Como o cérebro é constituído de 75% de água, ele mesmo é o que mais sofre com essa “ordem”, e daí vêem as terríveis dores de cabeça da ressaca. Então... Eu sei que na hora a gente nem pensa nisso, mas quando forem beber, bebam de meia em meia hora um copo d’água, porque à medida que você ‘mija’, já repõe a água perdida. Ou então...
BEBA MODERADAMENTE !!!!!!!”

Gostaram? Quando eu li eu achei interessante porque, apesar do ar cômico, o texto, de fato, retrata a realidade. Quer saber como?

“O rim filtra feito um louco, só que agora, o que ele expulsa não é o álcool, ele manda pra bexiga apenas... água (o líquido mais precioso do corpo)”

A bebida alcoólica é conhecida por seu efeito diurético, ou seja, por essa vontade infinita de fazer xixi. E isso ocorre porque ao ingerirmos a bebida, o álcool (etanol) presente no drink vai direto para o sangue.

E só para constar, apesar de muita gente achar que a absorção acontece no estômago, a maior parte (75%) ocorre no intestino delgado. A mucosa da boca é responsável por uma pequena fração de moléculas que entram no sangue e apenas 25% (aproximadamente) é absorvido no estômago.


O tempo para essa absorção vai variar de acordo com basicamente dois fatores: a velocidade que você bebeu (e claro, se foi uma cervejinha ou um absinto) e se você comeu antes ou não. O estômago cheio retarda o processo de absorção do alimento e, conseqüentemente, do álcool que você ingeriu junto. Sem contar que se você estiver em jejum por muito tempo, seu corpo automaticamente irá tentar repor as suas reservas de glicose a partir das suas proteínas musculares. Porém, com a presença do etanol, tal síntese é bloqueada afetando e desidratando seus neurônios. Agora você entende porque que sempre falam que tem que comer alguma coisinha antes ou durante a bebida? Portanto, o tempo que demora para que o álcool seja totalmente absorvido pelo corpo pode variar de 15 minutos à 1 hora.

Bom, mas voltando à parte que o etanol entra na corrente sanguínea. Quando no sangue, o etanol será transportado à determinados tecidos específicos, assim como o autor do texto citou, são eles: rins, fígado, cérebro e coração. E tal fato ocorre devido à grande concentração de água que as células desses tecidos têm.

“Chega uma hora que você tá com o teor alcoólico tão alto que teu cérebro te “desliga”. Essa é a hora que você desmaia...”


Infelizmente ou até mesmo ironicamente, de fato é isso que ocorre. Até porque, quem nunca viu um bêbado desmaiado caído aí pelas esquinas? Mas todo mundo sabe que quem chega nesse estado é porque ‘está no fim’, ou seja, já bebeu todas e mais um pouco. Nesse indivíduo “sem dono”, o teor alcoólico no cérebro está mais que elevado (variando entre 300 e 399mg/dL) e ele apresenta sintomas como sonolência, lapsos de memória e anestesia. Acima disso nem precisa dizer, né? É o famoso coma alcoólico que pode levar a uma insuficiência respiratória e até mesmo à morte. Nesse caso a pessoa precisa ser hospitalizada para tomar ´glicose no sangue´ (aplicação de insulina intravenosa) .

Mas concentrações menores de etanol no sangue, estimulam os neurônios no eixo hipotálamo-hipófise a liberando a famosa serotonina (neurotransmissor responsável pela sensação de prazer). Quando em maior quantidade, altas concentrações de etanol (porém não tão grandes quanto às que eu falei anteriormente) implicam na inibição de um inibidor, o glutamato, diminuindo a atividade do cérebro, pois ele controla a liberação de GABA que, nesse caso, estará em altas concentrações deixando a pessoa sem autocontrole e sem coordenação (quando a pessoa não consegue andar em linha reta, nem fazer o quatro com as pernas).


Bom pessoal, espero ter esclarecido os efeitos do álcool no organismo humano pra vocês. Espero, também, que tenham se divertido com o texto.

Até a próxima!


Referências Bibliográficas:
- Texto retirado de "O bar do Zé"
- Google imagens