sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Curiosidades! - Água e alcoolemia

Muita gente acredita que alguns líquidos, como refrigerante, suco ou água podem "tirar" o álcool do organismo, mas isso não é verdade!
O que acontece é que a água irá reidratar o organismo, que desidratou por causa da inibição do hormônio ADH causada pela ingestão de álcool, como já fora dito em outro post. Então, a água não irá eliminar o álcool do organismo e nem acelerar esse processo, ela apenas reidratará o organismo, o que diminuirá a sensação de embriaguez!

Sendo assim, que tal calcular o nível de alcoolemia?
Antes, vale lembrar que "alcoolemia" é a quantidade de álcool no sangue.Então vamos lá: Existe uma fórmula capaz de estimar a quantidade de álcool presente no nosso sangue, mas antes precisamos saber a porcentagem de álcool e a bebida ingerida.

A
fórmula é a seguinte:

- Os valores 0,7 e 0,6 são coeficientes para homens e mulheres, respectivamente, em jejum.
- Para a ingestão de álcool pós-refeição o coeficiente é 1,1.
- O resultado será dado em (mg/mL).
- Para saber a quantidade (em gramas) de álcool presente na bebida, basta multiplicar a quantidade (em mL) da dose com a porcentagem alcoólica da bebida (escrita na embalagem).

Também é interessante saber uma
estimativa do tempo necessário para que a quantidade de álcool ingerida seja absorvida e metabolizada. Então aí vai um gráfico que elucida o tempo necessário para absorção em relação à concentração de álcool no sangue:

Legenda:


Nota-se que o auge da absorção de álcool acontece em torno de 30 a 40 minutos após a ingestão. Passado esse período, a absorção e metabolização do álcool ficam lentas, e essa é a hora de diminuir a ingestão.

Com tantas informações novas, não há mais motivos para "beber até cair", "encher o saco" do amigo que vai cuidar de você e, muito menos, pegar o volante! Portanto, vamos ser responsáveis na hora de beber para evitar situações constrangedoras e acidentes, e lembre-se sempre:

SE BEBER NÃO DIRIJA!



Referências bibliográficas:
- Fórmula e legenda retirados de:

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

VICTOZA e o Organismo - Parte II

Olá pessoal,

Hoje irei finalizar os posts sobre o Victoza abordando mais detalhadamente a atuação dele no organismo.

Para falar do efeito do Victoza, terei que adentrar em um conceito chamado “Efeito Incretina”, vocês sabem o que é isso? Quando há a ingestão de um alimento, ele percorre todo o sistema digestório, certo? Durante esse percurso, há a inter-relação dos outros órgãos e sistemas que irão, direta ou indiretamente, ser ativados através da vasta quantidade de células nervosas presentes e das próprias substâncias produzidas neste sistema.

Explicando em outras palavras, a incretina são hormônios liberado quando há alimento (glicose e outros nutrientes) no intestino. Quando há um aumento da incretina, temos como resposta, um aumento na produção de insulina. (Relembrando, a insulina é o hormônio responsável pela captação da glicose pelas células) Elas podem ser produzidas pelo próprio intestino (íleo, cólon e jejuno) ou pelo pâncreas e são conhecidas como glucagon, insulina, amilina, GIP e GLP-1.

O efeito incretina - a administração oral de glicose
provoca maior estímulo à produção de insulina

“A administração endovenosa de glicose provoca uma liberação de insulina 50% inferior àquela estimulada por uma ingestão de glicose que leve ao mesmo perfil de glicemia.” (Dr. Eduardo Quadros Araújo)

Ok, e o que o Victoza tem a ver com isso? Bom, basicamente, é porque o Victoza tenta imitar um hormônio já existente no corpo, o tal GLP-1. A diferença básica está na degradação, tendo em vista que a degradação do hormônio natural ocorre em poucos minutos e a do artificial dura aproximadamente 24h.

E por que fazer um hormônio imitando o GLP-1 e não outra incretina? Porque ele é a principal incretina, ou seja, o principal hormônio que atua em diversos órgãos e sistemas. E detalhe, no caso dos diabéticos, apesar de a concentração do GLP-1 ser a mesma, sua ação está significativamente reduzida. Por isso o Victoza é um remédio especificamente para o caso do diabético, pois sua ação imita o GLP-1 que está reduzido, aumentando sua concentração para aumentar sua ação. E o melhor, com o aumento da concentração do GLP-1 feita pelo Victoza, há um aumento da produção de insulina apenas quando se tem um quadro de hiperglicemia (glicemia elevada), pois melhora a função das células-beta e ativa seu receptor, mantendo, assim, o controle glicêmico dos diabéticos.

Por imitar o GLP-1, apenas 10% das pessoas que usam o Victoza desenvolvem resistência (anticorpos) contra ele, isso é um valor muito baixo, principalmente se comparado aos 40% do outro remédio (Exenatide) utilizado para o mesmo fim. Quanto maior a resistência, menor efeito do remédio.

Victoza proporciona maior redução da glicemia do que a glimepirida,
um potente medicamento para diabetes

Outra coisa boa, é que além da ação na insulina e da baixa resistência, o Victoza inibe o apetite, diminui as taxas de triglicerídeos, proteína Creativa (PCR), colesterol ruim (LDL), colesterol total e a própria pressão arterial, além de retardar a digestão e o esvaziamento do estômago. Estimula, também, a expressão de genes após o infarto, devido à presença no miocárdio de receptores do GPL-1, protegendo o coração e melhorando a função cardíaca.

Em contrapartida, quando se trata do uso para o emagrecimento, além dos próprios efeitos positivos não serem tão evidenciados, os efeitos negativos são significativos, tanto na quantidade quanto na gravidade. (Como já foi abordado nos posts anteriores)

“Quando administrada na dose de 3mg por dia (lembrando que o custo ultrapassa 300 reais/mês para a dose de 1,2mg!) durante um ano a indivíduos obesos, o Victoza levou a uma perda adicional de 5,8kg quando comparado à dieta mais atividade física. Nesta dose, houve redução de 15% da massa gorda após cinco meses; um quarto dos pacientes, entretanto, não alcançou a perda de 5% do peso. Quando usado na dose de 1,2mg durante 20 semanas, a perda de peso foi apenas 2kg maior do que à alcançada com dieta e exercício. (7,8kg).” (Dr. Eduardo Quadros Araújo)

Efeito da liraglutida para perda de peso

Bom pessoa, é isso. Espero ter ajudado e esclarecido um pouco das suas dúvidas. Cuidado com sua saúde, acompanhe as notícias mas não se deixe levar por notícias sensacionalistas. Busque fontes confiáveis, vá a um médico, questione-o e sempre mantenha-se informado. Os medicamentos são feitos a nosso favor, mas precisamos ter cautela.


- Referências Bibliográficas:

- Google Imagens

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Dependência Química

O alcoolismo é o conjunto de sintomas causado pelo consumo excessivo de álcool,influenciando negativamente o convívio social,familiar e profissional do indivíduo.Pessoas que ingerem bebidas alcoólicas frequentemente e em grandes quantidades afirmam que "param quando quiser" como uma maneira de manter sua auto-imagem,porém não percebem que pelo descontrole já se tornaram dependentes,seja buscando uma sensação de prazer sentida anteriormente,seja para fugir dos sintomas da abstinência.Tanto a família como o dependente acabam criando uma "barreira" que os impedem de ver essa realidade,por isso devemos lembrar que o alcoolismo não é falta de caráter,e sim uma DOENÇA.

















A estimativa de alcoólatras no Brasil é de 15 milhões,o dobro da população da Suíça.Porém os médicos da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e Outras Drogas,estimam que 10% dos 192 milhões de brasileiros,ou seja,19 milhões,tenham problemas graves com a bebida.O alcoolismo mata 32 mil pessoas por ano no Brasil,está por trás de 60% das mortes no trânsito e 72% dos homicídios.(Revista Época,Vencido pela Bebida,12/09/2011).
Vale ressaltar que nem sempre quem bebe muito é um alcoólatra."O dependente é aquele que pretende beber um determinado tanto,mas não consegue parar",explica o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira,da Unifesp,de São Paulo.(http://alcoolismo.com.br/artigos/voce-sabe-reconhecer-um-alcoolatra/)













Do ponto de vista médico,saber que as enzimas que metabolizam o álcool variam de indíviduo para indivíduo é bastante relevante(a chamada vulnerabilidade biológica).
O etanol pode ser altamente solúvel em água,cai rapidamente na corrente sanguínea e é distribuído para diversos órgãos.(Mais informações no tópico "os efeitos do álcool no organismo",aqui em nosso blog).
O álcool é metabolizado no citosol das células hepáticas,em que a enzima álcool desidrogenase(ADH) produz o acetaldeído,que é anulado pela aldeído desidrogenase(ALDH)na mitocôndria das células hepáticas.
Acontece que algumas pessoas metabolizam o álcool melhor do que outras.Sem contar que pode haver alterações no organismo devido ao consumo excessivo de álcool,o que pode levar uma pessoa que até então tolerava bem o álcool a reagir ao consumo com uma patologia(doença).Tem que se considerar também a quantidade de bebida consumida diariamente por um período prolongado.A OMS diz que o consumo aceitável para homens é de 15 doses/semana e para mulheres é de 10 doses/semana;sendo uma dose equivalente a 350 ml de cerveja aproximadamente.
Porém a dependência química se manifesta de maneira tardia, costuma manifestar-se entre 4 a 6 anos de consumo constante para adolescentes e 6 a 8 anos para adultos.
Pessoas que fazem uso excessivo de álcool apresentam um conjunto de sintomas físicos e/ou psicológicos, que podem ser neuromusculares:tremores,cãibras;digestivos:náuseas,vômitos;e psiquícos como:ansiedade,humor depressivo,insônia e irritação.A tolerância, que é a resistência ao álcool é considerada mais um sintoma.
O tratamento para dependentes químicos do álcool é minucioso e prolongado.Torna-se essencial a participação da família,pois haverá a necessidade de conscientização do indivíduo sobre essa realidade sem que ao mesmo tempo seja destruída sua auto-imagem,o que levaria a uma consequente perda de vontade de viver,o que só pioraria a situação.Existem diversos grupos e formas de tratamento,sendo necessário que o individuo entenda o que se passa com ele,desfazendo a ideia de que bebe por causa de um problema externo,assumindo que precisa de ajuda e que deseja ser curado.


Referências:
http://www.psicosite.com.br/tra/drg/alcoolismo.htm
http://alcoolismo.com.br/artigos/voce-sabe-reconhecer-um-alcoolatra/
http://adroga.casadia.org/codependencia/co-dependencia_tratamento_familia_dependencia.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alcoolismo
http://www.alcoologia.net/Frames/fr_inftemsaude03.htm