sexta-feira, 25 de novembro de 2011

As mulheres ficam bêbadas mais rápido do que os homens?

Ao contrário do que muita gente pensa, é verdade que as mulheres ficam bêbadas mais rápido do que os homens. Ou seja, se uma mulher e um homem, ambos com mesmo peso corpóreo, ingerirem a mesma quantidade de álcool, a mulher apresentará maior nível alcoólico no sangue do que o homem. Isso se deve ao fato de que o metabolismo das mulheres é diferente do dos homens.

As mulheres possuem mais tecido adiposo (gordura) e menos água no organismo do que os homens. Isso faz com que o álcool no sangue das mulheres seja menos diluído e, por conseqüência, a concentração de álcool no sangue delas seja maior. Além disso, as mulheres possuem um padrão enzimático diferente do dos homens. Elas tendem a possuir uma quantidade menor da enzima desidrogenase alcoólica, que é crucial para o metabolismo do álcool por ser uma das responsáveis pela sua quebra e neutralização no estômago antes dele entrar na corrente sanguínea.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Metabolismo do Álcool

Olá pessoal,

Vimos muitas coisas no blog esse semestre, né? Várias coisas em relação ao álcool, tanto coisas positivas quanto negativas. Vimos os efeitos dele no organismo, os malefícios da ingestão quando se está grávida, as doenças causadas por ele. Agora que já sabemos um pouco disso tudo, irei mostrar a vocês como ocorre o metabolismo do etanol propriamente dito.

Quando ingerimos álcool, principalmente em teores elevados, sentimos ele “subir rápido”, certo? Tal fato acontece porque ao ser absorvido no intestino (a maior parte) o etanol difunde-se através das membranas, chegando a todas as células (inclusive nas cerebrais). Mas apesar de o etanol chegar a todos os tecidos, seu principal destino é o fígado, pois é lá que ele é metabolizado e oxidado.

No fígado, o etanol é oxidado pela enzima álcool desidrogenase formando acetaldeído, depois oxidado pela acetaldeído desidrogenase, formando acetato. Da seguinte forma:

Não sei se vocês já ouviram falar, principalmente do MHL, que existem 4 tipos de fontes energéticas: o carboidrato, a proteína, o lipídio e o álcool (siiiim!!!). E vocês sabem o por que do álcool ser considerado uma fonte energética? Tal fato ocorre pois tanto a oxidação do carboidrato, proteína e lipídio, quanto a oxidação do etanol, originam o mesmo produto: Acetil-CoA e NADH.

Porém, (sempre tem um porém, neh?), o álcool fornece conteúdo calórico apenas quando ingerido eventualmente e em pequenas quantidades. E, sim, quando você for a um nutricionista, você tem que informá-lo, também, da “cervejinha” que você toma para que ele possa computar e calcular, juntamente com os nutrientes ingeridos (carboidrato, proteína e lipídio) as calorias totais da sua dieta.

Ok, mas e quando eu bebo em maior quantidade? Bom, primeiramente, já digo que o conteúdo energético que antes era aproveitado, agora não é mais. O que acontece é que uma outra via é ativada e é ela que é responsável pela dependência e a tolerância alcoólica.

O organismo em situação normal tem maior quantidade de NAD+, porém com a ingestão do etanol e sua oxidação, tem-se uma maior liberação de NADH. O problema é que o NADH impossibilita a gliconeogênese feita a partir de aminoácidos, porque ao invés de produzir piruvato a partir de lactato, faz a reação inversa devido à enzima lactato desidrogenase. Portanto, não tem glicose feita a partir de piruvato.

O problema todo é que, em geral, ingerimos bebida alcoólica sem comer algo junto. Com isso, quando consumimos a nossa reserva de glicogênio podemos apresentar o quadro de hiperglicemia, que pode evoluir para o coma alcoólico.

Outra coisa é que com mais lactato (ácido lático) tem-se uma maior acidose. Com a maior concentração de Acetil-CoA mitocondrial(devido à oxidação do etanol) e a baixa glicemia (devido à não ingestão de nutriente), ocasiona o surgimento de corpos cetônicos (cetose) que agrava o quadro de acidose.

Além disso, a concentração dos ácidos graxos é aumentada, o que leva a um quadro de estateose, acúmulo de lipídios no fígado, iniciando uma hapatopatia alcoólica que evolui para a famosa cirrose hepática. O próprio aumento de acetaldeído que decorre da oxidação do etanol, é tóxico ao organismo pois inativa proteínas.

Por fim, (quanta coisa acontece!) quando bebemos muito outra via é ativada (aquela da dependência e tolerância), chamada via do citocromo P450. Por utilizar oxigênio, há o surgimento de radicais livres. Além disso, há o consumo de NADPH, que causa dano em um antioxidante (a glutationa) provocando uma reação imune que está relacionada à doença hepática causada pelo alcolismo.

Portanto, quando bebemos, inativamos a gliconeogênese, o ciclo de Krebs e o ciclo de Lynen. Provocamos diversos efeitos no nosso organismo que são maléficos a médio e longo prazo (como as doenças hepáticas).

Bom pessoal, é isso. Espero que tenham entendido um pouco mais sobre o álcool e seus efeitos no organismo.


Referência Bibliográfica:

- Marzzoco, A. & Baptista, B., Bioquímica Básica, 3ª edição, Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 2007. (Pg: 199 e 200)


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

BAFÔMETRO - O "BAFO" É O RÉU

O bafômetro é um aparelho que determina a concentração de bebida alcoólica em uma pessoa através do ar expelido pelos pulmões. Este aparelho é utilizado por policiais para verificar o nível de etanol em motoristas.






No Brasil, desde 2008, o nível tolerado é de 0,2 (2 decigramas por litro de sangue). A punição para quem extrapola estes limites, de acordo com a Lei Seca(lei 11.705) é de suspensão da carteira de motorista por um ano, além de multa de R$ 957,00 e retenção do veículo. Se o nível de álcool no sangue do motorista estiver acima de 0,6 este também é detido. A lei seca é considerada a mais rigorosa entre 63 países.
O nosso organismo dispõe de três mecanismos principais de purificação do sangue:
1) A eliminação nos pulmões, através do ar alveolar.
2) A eliminação pelo sistema urinário.
3) A metabolização de etanol, no fígado.
(http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc05/quimsoc.pdf)
Os dois primeiro mecanismos conseguem retirar aproximadamente 10% de álcool do corpo humano. O terceiro mecanismo consiste na oxidação do etanol por reações catalisadas por enzimas (processo relativamente lento), e corresponde a aproximadamente 90% do processo de retirada de álcool do organismo.
Como o bafômetro identifica a quantidade de álcool no sangue?
O primeiro mecanismo de eliminação do álcool pelo organismo é primordial neste processo. Parte desse álcool passa para os pulmões devido á circulação sanguínea. O ar liberado por uma pessoa que tenha bebido (bafo de bêbado) apresentará uma concentração de álcool equivalente à concentração no sangue.
No teste do bafômetro o motorista deve assoprar com força por cerca de 5 segundos.




Os bafômetros mais simples são descartáveis e feitos de dicromato de potássio. Neste equipamento o ar expelido pelos pulmões é bombeado em uma solução de dicromato de potássio umedecida com ácido sulfúrico. O etanol do ar expelido reage com o dicromato e produz acetaldeído e íons Cromo (III). Esta reação gera uma mudança de cor na solução que passa de alaranjado para verde (demostrando a presença de álcool).





Os equipamentos usados por policiais rodoviários são mais sofisticados. Existem dois tipos e em ambos o motorista assopra dentro do aparelho onde o etanol é oxidado em etanal. No primeiro tipo o sistema é eletroquímico. O etanol é oxidado formando etanal em meio ácido sobre um disco de plástico coberto com pó de platina (que funciona como catalisador),tendo um eletrodo conectado a cada lado do disco. Produz-se então uma corrente elétrica equivalente a concentração de álcool no ar exalado, que é avaliada sendo proporcional à concentração de álcool no sangue. (http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc05/quimsoc.pdf)
O outro tipo de equipamento é um modelo japonês. Trata-se de um semicondutor seletivo para etanol, e é formado basicamente por óxido de estanho (SnO2) com várias impurezas. Ao entrar em contato com este sensor o etanol oxida, gerando uma mudança na resistência do sensor. Esta modificação altera a corrente elétrica do aparelho e esta é proporcional à concentração de álcool no ar expelido,que também é equivalente ao álcool na corrente sanguínea.





Os bafômetros realmente são eficientes e as pesquisas continuam com intuito de desenvolver aparelhos ainda mais sofisticados. Vale ressaltar a sua importância como meio coibitivo no abuso de álcool por motoristas. Lembre-se, no trânsito não é apenas a sua vida que está em jogo!SE BEBER NÃO DIRIJA!




Referências:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Baf%C3%B4metro
http://ciencia.hsw.uol.com.br/bafometros.htm
http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/perguntas_respostas/lei_seca/index.shtml
http://entropialivre.blogspot.com/2011/11/como-funciona-o-bafometro.html